Fessus
Genero...: Death Metal
País...: Áustria

O Fessus é uma criação recente; a banda se formou em 2023 e, no mesmo ano, lançou sua demo de estreia, *Pilgrims Of Morbidity*.
Um álbum ao vivo na mesma linha, *Thresholds Of Morbidity*, foi lançado um ano depois, assim como um *split* em parceria com o Kill The Lord.
Poucas semanas antes desse *split*, o Fessus tocou na edição londrina do Killtown Deathfest, no The Dome (Tufnell Park).
Com o lançamento do primeiro álbum previsto para 26 de novembro e exibindo uma clara e evidente devoção ao som do Gorguts, esses austríacos deixam claro qual é a sua proposta e o que podemos esperar.
Ao assinarem com a Darkness Shall Rise Productions, o Fessus começou com força total logo no início da carreira, e esperamos que *Subcutaneous Tomb* os leve ainda mais longe.
Mesmo sem uma audição imediata, percebe-se claramente que o Fessus ama o death metal da velha guarda.
Essa característica fica evidente em *Subcutaneous Tomb*: do timbre da guitarra às inflexões vocais, passando pela bateria, que se destaca na mixagem sustentando o ritmo e garantindo o andamento constante do álbum.
Entre os inúmeros trabalhos de metal extremo que ouvi este ano, *Subcutaneous Tomb* é aquele em que a banda demonstra, com clareza, que essa sonoridade é totalmente intencional.
Não se trata de discutir volume, timbre ou se a banda poderia soar mais pesada; o disco foi concebido e mixado dessa forma porque essa era a intenção do grupo.
O resultado é um death metal observado sob um microscópio; impressiona o nível de controle e disciplina que a banda imprime em todos os aspectos de sua performance.
Também não há qualquer tentativa de criar alarde artificial em torno do trabalho: cada faixa começa, cumpre seu papel e termina; a banda não buscou inflar artificialmente sua sonoridade para obter elogios exagerados ou imerecidos.
Qualquer reconhecimento positivo em relação ao Fessus deve surgir de uma apreciação natural e espontânea.
Em uma época em que as bandas frequentemente tentam superar umas às outras para criar o som mais agressivo e maligno possível, o Fessus demonstra as vantagens da moderação e de seguir o próprio caminho — algo que se reflete diretamente em sua composição.
O Fessus pode até tocar death metal à moda antiga, mas não devemos imaginar que, por isso, abram mão da técnica em prol da brutalidade desenfreada.
Ouvir *Subcutaneous Tomb* revela um controle impressionante sobre os riffs e a direção musical que a banda propõe.
Como veremos em breve, o andamento é mais lento do que o de outras bandas do gênero; essa cadência mais contida permite que mergulhemos fundo na sonoridade do grupo.
No entanto, os riffs não são excessivamente elaborados, nem o trabalho de guitarra tenta sobrecarregar o disco com uma sucessão incessante de riffs e frases melódicas; há bastante espaço para o baixo e a bateria se destacarem.
Isso resulta, acima de tudo, em uma sonoridade que transmite uma sensação de maior lentidão — já que os riffs não buscam nos impelir a um ritmo frenético —, explicando também por que um álbum de apenas seis faixas apresenta uma composição de calibre nitidamente superior ao que se vê na maioria dos contemporâneos da banda.
Essa abordagem paciente na composição traz resultados positivos, pois o público percebe que a banda respeita o tempo que lhe dedicamos; além disso, a execução dos riffs com uma precisão deliberada e metódica transmite, de certa forma, mais potência do que se a banda tivesse simplesmente bombardeado o ouvinte com uma intensidade supersônica.